A Assembleia Geral Extraordinária do Corinthians, que estava marcada para este sábado (19), no Parque São Jorge, foi novamente suspensa pela Justiça. O desembargador Maurício Campos da Silva Velho, da 4ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), concedeu efeito suspensivo ao recurso apresentado pelos conselheiros vitalícios Ademir de Carvalho Benedito, Alexandre Husni e Guilherme Gonçalves Strenger.
Com a decisão, a Assembleia não poderá ser realizada até que o recurso seja julgado. O pedido dos três conselheiros questiona a validade do processo de reforma do Estatuto do Corinthians, especialmente porque o texto-base apresentado ao Conselho Deliberativo foi rejeitado pelos conselheiros, enquanto alguns pontos específicos foram posteriormente aprovados de forma individual.
Entre os temas que seriam submetidos aos associados estava a possibilidade de conceder direito de voto aos integrantes do programa Fiel Torcedor nas eleições do clube. A proposta previa que torcedores que cumprissem os critérios estabelecidos poderiam participar já da eleição prevista para este ano. Também estavam na pauta mudanças na composição do Conselho Deliberativo, no sistema eleitoral, no período de carência para votação e uma regra de transição relacionada à possibilidade de reeleição do atual presidente, Osmar Stabile.
Um dos argumentos apresentados pelos conselheiros é justamente o impacto que uma eventual alteração estatutária poderia provocar no processo eleitoral do Corinthians, marcado para novembro. A possibilidade de ampliar o colégio eleitoral para incluir integrantes do Fiel Torcedor poderia modificar o universo de eleitores ainda durante o ano eleitoral. A decisão judicial, porém, não declarou a invalidade definitiva das propostas nem concluiu pela existência de irregularidades no procedimento do clube.
O presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, lamentou a decisão e confirmou oficialmente o cancelamento da Assembleia que seria realizada neste sábado. Tuma vinha defendendo a realização do encontro e havia afirmado que os temas encaminhados aos associados foram aprovados individualmente pelo Plenário do Conselho Deliberativo.
A suspensão acontece após uma sequência de decisões judiciais envolvendo a reforma estatutária. Na última semana, a Justiça havia autorizado a realização da Assembleia, mas limitado a votação aos 11 temas que haviam sido efetivamente analisados e aprovados pelo Conselho Deliberativo, deixando o texto-base completo fora da pauta.
